sexta-feira, 6 de maio de 2011
O Avôzinho Radical
(Foto retirada da internet)
Nos dias de hoje muitos são aqueles que defendem que para mudarmos o estado, e o Estado, do país deveremos ser radicais.
Apresento-vos assim o novo super-herói que irá salvar a pátria: o Avôzinho Radical.
Vejamos alguns exemplos radicais que podem contribuir para salvar a pátria:
Pena é que não tenha sido radical quando foi Ministro das Finanças de Cavaco Silva.
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quarta-feira, 4 de maio de 2011
Cartoon (1): A pose do Primeiro Ministro
Decidi começar uma rubrica em homenagem a um cartoonista que aprecio, partilhando aqui alguns daqueles que considero ser os seus melhores cartoons, embora seja apenas uma opinião.
Este cartoon pode ser visto aqui na rubrica Henricartoon.
terça-feira, 3 de maio de 2011
Minúsculo (9): Uma boa educação (de MÃE)
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segunda-feira, 2 de maio de 2011
O FMI e os Tugas !!!
(Foto retirada da internet)
Numa altura em que só ouvimos nas notícias um cenário de desgraças sobre o que vai acontecer nos próximos anos na economia portuguesa, recebi por email uma pérola sobre a visita do FMI a Portugal e a típica reacção tuga, que não posso deixar de partilhar.
Então aqui fica...
Como já devem ter lido, ao contrário do que sucede com a cambada de incompetentes que sugam os nossos recursos, os homens do FMI que aqui se encontram a tratar de endireitar as nossas contas públicas não dispõem de veículos privados com motorista. Deslocam-se a pé ou de táxi.
Aprecie o teor da conversa do primeiro taxista que transportou um desses homens do aeroporto para o hotel.
"Hotel Tivoli? Daqui, do aeroporto, é um tiro... Então o amigo é o camone que vem mandar nisto? A gente bem precisa. Uma cambada de gatunos, sabe? E não é só estes que caíram agora. É tudo igual, querem é tacho. Tá a ver o que é? Tacho, pilim, dólares. Ainda bem que vossemecê vem cá dizer alto e pára o baile... O nome da ponte? Vasco da Gama. A gente chega ao outro lado, vira à direita, outra ponte, e estamos no hotel. Mas, como eu tava a dizer, isto precisa é de um gajo com pulso. Já tivemos um FMI, sabe? Chamava-se Salazar. Nessa altura não era esta pouca-vergonha, todos a mamar. E havia respeito... Ouvi na rádio que amanhã o amigo já está no Ministério a bombar. Se chega cedo, arrisca-se a não encontrar ninguém. É uma corja que não quer fazer nenhum. Se fosse comigo era tudo prà rua. Gente nova é qu'a gente precisa. O meu filho, por exemplo, não é por ser meu filho, mas ele andou em Relações Internacionais e eu gostava de o encaixar. A si dava-lhe um jeitaço, ele sabe inglês e tudo, passa os dias a ver filmes. A minha mais velha também precisa de emprego, tirou Psicologia, mas vou ser sincero consigo: em Junho ela tem as férias marcadas em Punta Cana, com o namorado. Se me deixar o contacto depois ela fala consigo, ai fala, fala, que sou eu que lhe pago as prestações do carro... Bom, cá estamos. Um tirinho, como lhe disse. O quê, factura? Oh diabo, esgotaram-se-me há bocadinho".
quinta-feira, 28 de abril de 2011
E venha o Caneco !!!!
Agora, O CANECO é practicamente NOSSO, independentemente de quem o venha a ganhar.
Só espero é que não seja penhorado ao FMI !!
Doce Páscoa (2) !!
(Foto retirada da internet)
Depois do desafio que lancei no post anterior, aproveito para vos deixar aqui a experiência por mim vivida nesta quadra.
Aproveitando o facto de ser um fim-de-semana prolongado de 4 dias eis que fui passar este período longe do reboliço que é uma grande cidade como Lisboa. Foram 4 dias passados no sossego de uma aldeia bem no interior de Portugal, a cerca de 20 kms de Castelo Branco, na companhia da familía e aproveitando todos os momentos junto dos rebentos.
Claro que as amendôas e os ovos de páscoa estiveram presentes, mas numa quantidade q.b. O importante destes dias foi o sossego, o descanso e a partilha de momentos. Embora o tempo não fosse o melhor deu para fazer muitas brincadeiras com os pequenitos e fazer com que um deles quase que já consiga andar sozinho de bicicleta. Foram momentos de partilha e de diversão.
Foram momentos de nostalgia onde relembrei algumas das brincadeiras da minha infância, onde não existia toda a planóplia de brinquedos que existe hoje, mas onde não deixávamos de ser felizes, utilizando pequenas coisas para inventar as nossas brincadeiras. Eram pequenas coisas que transformávamos em brincadeiras deliciosas e que nos proporcionavam longas horas de diversão, muitas das quais os nossos filhos nem sabem o que são, pois apenas conhecem as consolas, os Gormitis, os Bakugans, e muitos outros.
Podem chamar-lhe saudosismo, mas garanto-vos que soube muito bem recordar velhos tempos e poder partilhá-lhos com os mais pequenitos.
E agora pergunto eu:
Quem não se lembra, e não tem saudade das brincadeiras da sua infância?
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Doce Páscoa !!
(Foto tirada da internet)
A Páscoa aproxima-se rapidamente e os supermecados ficam pejados de amêndoas para todos os gostos(francesas, de chocolate, com açúcar, e muitos outros tipos que não sei o nome, ou agora não me lembro) de ovos de Páscoa (pequenos, médios ou grandes), e de coelhinhos de chocolate, e se calhar muitos outros animais de chocolate, desde que sejam doces ou fofinhos.
Mais uma vez começa a nossa azáfama de irmos até ao supermercado e escolhermos as amendoas mais apropriadas para os pais, filhos, tios e tias, primos e primas, professores dos filhos e educadores de infância, amigos, etc e tal, numa febre consumista que faz lembrar o que acontece em outros períodos como sejam o Natal, o dia dos namorados, o dia da Mãe, o dia do Pai, o carnaval e a compra de disfarces, o recente Halloween importado dos EUA, e outros que tais.
Com toda esta azáfama imposta por uma sociedade cada vez mais consumista, somos empurrados pelos agentes económicos e pela necessidade de nos sentirmos devidamente integrados juntos dos nossos pares a dar maior importância a aspectos materiais e a esqueçer o fundamental: as relações humanas de afecto, companheirismo, amor e amizade que todos nós devemos sentir, e aproveitar estes momentos para cimentarmos estes sentimentos, vivendo-os de forma plena e feliz e podermos fazer os outros felizes, sejam eles familiares, amigos ou até mesmo desconhecidos que necessitem de um pouco de atenção e felicidade.
Deixo-vos aqui um pequenino desafio:
Aproveitemos estes poucos dias desta quadra para os vivermos com amêndoas, folares, ovos e coelhos de chocolate q.b. sem esquecer as relações humanas para que os possamos viver de forma plena e contribuindo para a felicidade daqueles que mais precisam.
Deixo-vos ainda aqui o convite para depois de passada esta quadra, poderem aqui vir, se assim o quiserem e entenderem, partilhar as vossas experiências e os sentimentos e emoções que estas vos trouxeram.
Uma BOA e FELIZ PÁSCOA !!!
Por fim deixem-me apenas desejar:
Uma BOA e FELIZ PÁSCOA !!!
terça-feira, 19 de abril de 2011
Sem mãos a medir...
(Foto retirada da Internet)
Nunca um cartoon efectuado há 37 anos atrás, logo após a queda do Estado Novo e a restauração da democracia se manteve tão actual nos nossos dias.
Sinais dos tempos, e sinais de que este povo nada aprende continuando a permitir que isto aconteça, tão passivo que se mostra nos actos eleitorais, nas escolhas que faz.
sábado, 16 de abril de 2011
Momento de Liberdade
Toda a sua vida tivera havia seguido as regras que lhe eram impostas. Na sua infância, embora esta tivesse sido alegre, divertida e cheia de brincadeiras, tinha que seguir as ordens dos seus pais e dos seus avós. Na escola tinha que obedecer aos professores, seguir as regras que existiam, vestir a farda do colégio todos os dias. Nos seus tempos livres aprendia música e fazia atletismo, e também aqui o seu mundo estava repleto de disciplina e regras.
Depois veio a faculdade e as obrigações mantinham-se. Embora não fossem impostas de forma expressa, a necessidade de tirar boas notas para concluir o curso com uma boa mádia e assim poder arranjar um bom emprego e ter sucesso, era um espartilho invisível que condicionavam a sua liberdade. Continuava a fazer atletismo, treinando 3 vezes pos semana. Naquela altura na sua vida o seu dia dividia-se entre o estudo e os treinos de atletismo. Pouco tempo lhe restava para fazer o que ela realmente queria, para fazer o que lhe "desse na telha!".
Acabada a faculdade, começou a procura de emprego e as responsabilidades profissíonais que daí vinham. Passava o dia a correr de casa dos pais para o trabalho; do trabalho para casa dos pais; de casa dos pais para os treinos de atletismo; dos treinos de atletismo para casa dos pais, e ainda tinha que ajudar em casa, passando a ferro, lavar a loiça, limpar a casa, ir às compras.
Não tinha tempo para si. Não tinha tempo para fazer o que queria, o que lhe apetecesse.
Mas hoje era um dia diferente. Hoje era o primeiro dia de uma vida nova. Tinha deixado o atletismo, ou pelo menos a vertente da competição. Agora corria apenas quando queria, e porque queria. Mudara de emprego e criara a sua própria empresa. Trabalhava como consultora de imagem, fazia o que queria e tinha ganho uma autonomia financeira invejável. Comprara uma casa para morar sozinha. Ainda que adorasse os seus pais, necessitava do seu espaço, do seu cantinho onde pudesse ter a sua liberdade.
Hoje era o primeiro dia em que morava sozinha. Levantou-se cedo, calçou os seus ténis e saiu para a rua para ir correr. Tinha corrido durante 2 horas e apesar de cansada sentia-se bem, sentia-se feliz, sentia-se livre. Aproveitou o sossego de ser Domingo e de ainda serem 9h da manhã para se deitar no chão, no lancil do passeio, mesmo juntinho à estrada. Deixou-se ficar ali a observar o céu, invadida pelo suave aroma da relva intensificado pelo facto de ter sido recentemente regada, o que lhe dava aquele cheiro tão característico.
Continuava a adorar os seus pais. Continuava a ter que seguir as regras que a sociedade lhe impunha. Mas aquele momento era só seu. Naquele momento sentia-se livre.
Aquele era o seu Momento de Liberdade !!
Esta é a minha participação na 11ª edição Visual do blog Projecto Créativité
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sexta-feira, 15 de abril de 2011
O meu mundo és tu.
(Foto tirada da internet)
Naquele fim de tarde chegara a casa cabisbaixo. Estacionou o Ferrari na garagem de sua casa. Desligou o motor, saiu do carro, dirigindo-se para a saida da garagem. Ao chegar à porta não resistiu e voltou-se para trás para olhar o seu "puro sangue" uma última vez. Amanhã, àquela mesma hora a garagem estaria vazia depois de um reboque o ter vindo buscar como parte do pagamento ao banco. Lentamente foi fechando o portão da garagem sem conseguir desviar o olhar daquele vermelho vivo, daquele que era o carro dos seus sonhos.
Foi calcurreando o caminho de pedras desenhado na relva do jardim que envolvia a sua casa, uma luxuriante vivenda situada num local isolado e junto ao mar. Parou junto à piscina e por momentos ficou a ver o seu reflexo na água. Veio à sua memória um mar de recordações de tempos felizes vividos naquela casa, naquele jardim, naquela piscina. Dali a uma semana a sua casa iria ser leiloada pelo banco para pagar parte da sua dívida ao banco. Começava a fazer-se sentir uma fria brisa, normal ao entardecer, que se ia tornando cada vez mais desagradável.
Levantou a gola do seu casaco e encaminhou-se para dentro de casa. Caminhava lentamente. O peso dos seus pés crescia exponencialmente e começava a ser sobre-humano o esforço que tinha que fazer para dar um novo passo.
Entrou em casa e dirigiu-se à sala. Serviu-se de um whisky. Puro. Sem gelo. Queria sentir toda a força daquele whisky velho a descer pela sua garganta. Talvez assim conseguisse também arranjar forças para enfrentar o futuro. Foi até à janela da sala e admirou o mar, dourado, sobre a luz de um sol que desaparecia no horizonte. Dentro de uma semana não mais poderia gozar daquela vista. Ia morar no centro da cidade, numa apartamento minúsculo e infecto que conseguira alugar numa cave. Era o mais barato que tinha encontrado.
Ali, naquele momento, teve então consciência de que era um PERDEDOR. Tinha apostado na bolsa, e tinha perdido tudo. Tinha perdido uma casa de sonho. Tinha perdido o carro dos seus sonhos. A sua mulher abandonara-o quando soube que ele tinha perdido tudo, acusando-o de ser egoísta, de não pensar no futuro deles, no futuro do seu filho.
Pensou em abrir a janela, percorrer a curta distância da varanda e saltar para a falésia de encontro ao mar. Demoraria poucos segundos a percorrer na vertical os 60 metros que o separavam do mar, do vai e vem daquelas ondas que lhe trariam a calma que perdera e acabaria de vez com o seu sofrimento, com os seus problemas.
Absorto que estava nos seus pensamentos não se apercebeu dos passos que vindos de trás se aproximavam dele. De repente, sentiu que uma pequenina mão, macia e quente, segurava a sua mão gelada.
Olhou para baixo e viu o rosto inocente de uma criança que olhava para cima, sorrindo e que com a ternura característica das crianças disse:
- Pai, eu gosto muito de ti.
Naquele momento, percebeu que não era um PERDEDOR. Percebeu que tinha tudo aquilo que desejava. Percebeu que não havia nada de mais maravilhoso. Percebeu que iria usar todas as suas forças para lutar pelo seu filho, para o fazer feliz, para o amar, e para que ele sentisse orgulho nele, sentisse orgulho no seu pai.
Esta é a minha participação na 16ª Edição De-sa-fi-o do blog Projecto Créativité
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quinta-feira, 14 de abril de 2011
quarta-feira, 13 de abril de 2011
Coisas que me IRRITAM !!! (3)
(Foto retirada da Internet)
No meu tempo era assim.
Agora é assim .........
(Foto retirada da Internet)
Obrigado Santana Lopes, do fundo do Coração.
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Porque sou contra o Bullying
A menina que chamas de gorda, passa dias sem comer para perder peso.
O menino que chamas de burro, quem sabe tenha problemas de aprendizagem.
A menina que acabaste de chamar de feia passa horas a arranjar-se para pessoas como tu a aceitem.
O menino que provocas e gozas na escola, pode receber maus tratos em casa e só estás a contribuir para destruir a sua auto-estima.
Se é contra o BULLYING compartilhe.
Porque este flagelo tem que ter fim.
Aderi ao apelo do Blog "As minhas histórias".
Vamos todos partilhar, nos blogues e fora deles.
terça-feira, 12 de abril de 2011
domingo, 10 de abril de 2011
Doce Embalo
(Foto tirada da internet)
O Sol foi descendo no horizonte dando lugar à noite. A rotina repetia-se e a hora de ir dormir aproximava-se velozmente. Ainda havia várias coisas para fazer antes de ir para a cama: despir a roupita, trocar a fraldinha, vestir o pijaminha, colocar o saco cama (para o caso de se destapar de noite), e claro colocar a chuchinha. Depois havia que dar um beijinho de boa noite à mãmã e ao mano.
Agora, despachadinho, era chegada a hora de ir para o seu quarto onde dormiria um soninho descansado na sua caminha de grades, para que durante a noite não tivesse a tentação de praticar desportos radicais.
Levei-o ao colo mas ao entrar no seu quarto às escuras, começou a choramingar, como que a resmungar que não queria ir já para a cama. Mal liguei a sua caixinha de música, que também projecta bonecos no tecto, aninhou-se nos meus braços, olhando para mim naquela suave penumbra, enquanto sorria para mim, aquele sorriso lindo de chucha na boca.
Enquanto cantava ao som da melodia que irradiava da sua caixinha de música, ia balançando levemente para lá, e para cá... para lá, e para cá ... para lá, e para cá. Ele adora ser embalado assim, tanto que começou a dar pequenos gritinhos e risadinhas.
E eu continuava a embalá-lo para lá, e para cá...., para lá e para cá ..., para lá e para cá....
Naquele quarto às escuras, ao som daquela suave música, não eram apenas os seus olhitos que começavam a ficar pesados, mas também os meus. Fechei os olhos e continuei a cantar ao som da música, enquanto balançava para lá, e para cá.... para lá, e para cá, .... para lá, e para cá.
Mas de repente algo inusitado aconteceu....
Enquanto balançava para lá, e para cá.... de olhos fechados e cantando ao som da sua caixinha de música, senti que algo tocava na minha face. Algo pequeno. Algo macio. Algo quente que deslizava pela bochecha da minha face. De repente parou para voltar logo a seguir, desta vez de baixo para cima, andando de um lado para o outro como um bêbado quando anda aos SS's pelo meio da rua. Foi subindo, subindo, subindo até chegar ao meu nariz.
Eu porém alí continuava a balançar para lá, e para cá.... de olhos fechados e cantando ao som da sua caixinha de música sentido a sua pequenita mão a passear na minha cara e a apertar o meu nariz enquanto dava uma gargalhada.
Foi um momento único, que me arrepiou e me fez desejar ali permanecer para sempre, com ele no meu colo e sentindo a sua mãozita na minha cara, desejando que ele nunca crescesse.
Naquele momento eu era o homem mais feliz deste mundo.
Enquanto cantava ao som da melodia que irradiava da sua caixinha de música, ia balançando levemente para lá, e para cá... para lá, e para cá ... para lá, e para cá. Ele adora ser embalado assim, tanto que começou a dar pequenos gritinhos e risadinhas.
E eu continuava a embalá-lo para lá, e para cá...., para lá e para cá ..., para lá e para cá....
Naquele quarto às escuras, ao som daquela suave música, não eram apenas os seus olhitos que começavam a ficar pesados, mas também os meus. Fechei os olhos e continuei a cantar ao som da música, enquanto balançava para lá, e para cá.... para lá, e para cá, .... para lá, e para cá.
Mas de repente algo inusitado aconteceu....
Enquanto balançava para lá, e para cá.... de olhos fechados e cantando ao som da sua caixinha de música, senti que algo tocava na minha face. Algo pequeno. Algo macio. Algo quente que deslizava pela bochecha da minha face. De repente parou para voltar logo a seguir, desta vez de baixo para cima, andando de um lado para o outro como um bêbado quando anda aos SS's pelo meio da rua. Foi subindo, subindo, subindo até chegar ao meu nariz.
Eu porém alí continuava a balançar para lá, e para cá.... de olhos fechados e cantando ao som da sua caixinha de música sentido a sua pequenita mão a passear na minha cara e a apertar o meu nariz enquanto dava uma gargalhada.
Foi um momento único, que me arrepiou e me fez desejar ali permanecer para sempre, com ele no meu colo e sentindo a sua mãozita na minha cara, desejando que ele nunca crescesse.
Naquele momento eu era o homem mais feliz deste mundo.
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quarta-feira, 6 de abril de 2011
Tamos À RASCA !!!!
Então não tínhamos passado com distinção nos Stress Tests ??
Afinal, parece que estamos À RASCA !!!
sábado, 2 de abril de 2011
Banco de Jardim
Era apenas um banco de jardim. Um banco de jardim onde todos os dias se sentava depois do almoço, sempre que o tempo o permitia.
Passava horas naquele banco de jardim. Costumava fechar os olhos, cheirar os enebriantes odores das flores que a rodeavam. Adorava ouvir o canto dos pardais que se empoleiravam nas árvores à sua volta, ou o canto de um melro que por ali pousasse. Como era bom sentir na sua cara a suave brisa refrescante de um final de tarde, aconchegando-se na sua manta.
Não se lembrava há quanto tempo tinha aquela rotina diária. A memória começava a atraiçoá-la. Não se lembrava de há quanto tempo ia para ali ou de como tinha ido para ali. Só com muita dificuldade conseguia recuperar as suas memórias mais antigas.
Mas hoje estava feliz. Tão feliz como há muito tempo não se lembrava. O dia tinha sido igual a tantos outros. Levantara-se bem disposta e tomara o seu pequeno almoço como de costume. Passara a manhã a fazer palavras cruzadas até ir almoçar com as suas amigas. Depois foi até ao jardim e sentara-se no mesmo banco de jardim, como sempre o fazia. Ali estava ela de olhos fechados, enebriada pelo cheiro das flores, encantada com o canto dos pardais. Mas hoje havia algo de diferente, algo de novo, algo maravilhoso. Para além dos pássaros, aos seus ouvidos chegava um outro som maravilhoso. Era o som de uma criança que brincava perto dela.
Abriu os olhos!!!
Á sua frente estava uma menina, que não teria mais de 8 anos e que brincava alegremente à "Macaca", cantando e rindo com a alegria que só uma criança pode ter.
(Foto retirada da Internet)
Que bom que era estar ali a ver aquela criança a brincar, a rir, a saltar, a cantar. De repente viu-a dirigir-se para si e sentar-se ao seu lado naquele banco de jardim. Sentiu a sua mão, uma mão pequenita e com uma pele muito macia pousar em cima da sua. O seu peito encheu-se de um enorme amor e alegria quando ouviu as palavras: "Amo-te muito, mãmã!".
Baixou o seu olhar e sentiu uma lágrima soltar-se e descer lentamente pela sua face ao admirar aquela pequena mãozita que repouzava suavemente sobre a sua. Mas ao levantá-lo, aquela menina não estava mais lá.
No seu lugar estava uma mulher com quase 50 anos, que dela se aproximou e a beijou suavemente na face dizendo: "Até amanhã!".
Ao sair, aquela menina, agora mulher, cruzou-se com uma funcionária do centro de repouso e, ainda que tentasse manter-se forte não foi capaz de se emocionar ao dizer: "Eu não queria que a minha Mãe viesse para aqui, mas ela já não podia mais ficar sozinha. Aqui ela está mais acompanhada, é bem tratada, e eu sei que é feliz...., e eu vou estar sempre por perto."
Texto para o tema de Abril/2011 ("Ternura") da Fábrica de Letras.

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quinta-feira, 31 de março de 2011
Um Português - Nova Ortografia
No outro dia quando estava a visitar o blog JGCosta - para rir ou chorar deparei-me com um post sobre o novo acordo ortográfico, que pelos vistos vem complicar a vida dos dois lados do Atlântico.
Mas o melhor de tudo é que o amigo JGCosta tinha no seu post um link para um site que pode ser muito útil para confirmarmos as alterações do novo acordo ortográfico.
O circo chegou à cidade!!
(Foto retirada da internet)
A cada dia que passa mais me convenço que o CIRCO chegou à cidade. Depois da PALHAÇADA (com o devido respeito para os palhaços, que têm uma profissão tão digna como qualquer outra, ou mais ainda, pois conseguem-nos animar e divertir quando estamos aborrecidos ou chateados com alguma coisa) que foi a eleição Presidencial em Janeiro deste ano, onde muitos portugueses ficaram impedidos de votar pois não saberem qual a sua assembleia de voto, alterada aquando da obtenção do Cartão do Cidadão, uma vez que os mecanismos para obtenção desta informação (SMS e Internet) não funcionaram por não suportar o excesso de fluxo, eis que a CNE (Comissão Nacional de Eleições) decidiu lançar uma campanha publicitária para sensibilizar os portugueses a verificarem qual a sua assembleia de voto, prevenindo assim que a mesma situação venha a ocorrer em futuras eleições.
Isto dito assim até que parece bem. Até parece uma medida sensata, coerente e preventiva de futuras situações de privação dos direitos civis de cada um de nós. Mas será que é assim mesmo???
Esta campanha irá arrancar com spots publicitários que vão passar na RTP e depois nas outras televisões a partir de hoje, 5ª feira, 31/03/2011.
Até aqui tudo bem!!!
A questão coloca-se quando amanhã, 5ª feira, 31/03/2011, se perspectiva como sendo o dia em que o Presidente da República poderá vir a anunciar aceitar a demissão do Governo e a dissolução do Parlamento, anunciando a data das próximas eleições legislativas.
Mas o que é que isto tem a ver com a campanha lançada pela CNE?
O problema é que uma vez marcada a data das eleições legislativas, não é mais possivel aos eleitores requererem a alteração do seu local de voto para a área de residência actual, pelo que apenas pelo período de 24 horas será possível a sua actualização.
Ainda que se possa defender que os eleitores podem verificar qual o local onde votar de forma a o exercer, parece-me muito pouco para o eventual dispêndio de dinheiro na campanha, quando apenas existirá um período de 24 horas para a sua alteração.
Mas o que mais me chocou foi ver as declarações dos responsáveis da CNE, com um ar muito divertido, diga-se de passagem, como se os portugueses não passassem de uns palhaços, afirmarem que até que poderiam ter lançado esta campanha mais cedo.
Poder podiam, mas não seria a mesma coisa!!
quarta-feira, 30 de março de 2011
Coisas de que GOSTO (3): BOCA DOCE
(Foto tirada da internet)
Chocolate, Baunilha, Caramelo, Morango, ou Ananás......
isso não interessa, pois eu gosto de Pudins BOCA DOCE!!!
sexta-feira, 25 de março de 2011
Suave brisa
O dia já ia longo estando quase a acabar. A luz dourada do sol que quase se sentava no horizonte era o prenuncio de uma noite de Outono que se aproximava velozmente. À sua volta um ensurdecedor silêncio, apenas quebrado de quando em vez pela harmoniosa melodia de um ou outro pássaro que por ali passava.
Maria estava sentada com o seu olhar fixo no horizonte. Um horizonte carregado de tons castanhos e alaranjados oriundos de longas árvores que ondulavam ao sabor do vento, produzindo um belo e suave murmúrio. O seu pensamento estava distante, muito distante dali.
Maria deambulava calmamente por entre um conjunto de árvores que projectavam no chão as sombras ondulantes dos seus ramos e folhas. Junto delas existia um conjunto de bancos de jardim onde alguns idosos sentados conversavam entre si, quem sabe contando aventuras dos seus gloriosos tempos de juventude que não regressariam mais. Mais à frente existia uma elegante mesa de jardim, em ferro, onde dois homens de meia idade e tez morena aproveitavam o final do dia para jogarem uma calma partida de xadrez.
Maria caminhava lentamente sentindo no seu rosto a suave brisa do vento de Outono, ouvindo a melodia dos pássaros, o canto de uma cigarra mais à frente, o suave estalar das folhas alaranjadas caídas no chão, sempre que as pisava.
Ao chegar junto de uns baloiços, Maria parou. Olhou para as correntes que suspensas de uma barra horizontal de metal estavam unidas por uma tira de lona preta que fazia de assento e decidiu sentar-se.
Começou a balançar lentamente as suas pernas e foi ganhando impulso, foi ganhando velocidade. Ao seu lado, no outro baloiço estava a sua filha de 7 anos, Rita, com os seus cabelos ruivos encaracolados a esvouçar na suave brisa de fim de tarde.
Maria foi ganhando velocidade, balouçando-se cada vez mais alto. Ritinha, a sua filha, tentava a todo o custo subir mais alto que a sua mãe, mas as suas pernitas pequenas não lhe facilitavam a tarefa. As duas, mãe e filha, competiam uma com a outra para ver quem subia mais alto, para ver quem conseguia tocar o Sol. A felicidade transbordava das suas faces, as gargalhadas sucediam-se acompanhadas pelo suave chiar das correntes dos baloiços. Os seus cabelos esvoaçam na suave brisa de fim de tarde.
Nada nem ninguém poderia estragar aquele momento, aquele momento só delas, aquele momento em que mãe e filha se divertiam como se fossem duas irmãs, como se fossem as duas melhores amigas.
Maria ouviu então um sussuro do seu lado direito. Voltou a cara mas não viu ninguém. Apenas sentiu a brisa, a suave brisa do entardecer, que lhe provocou um arrepio frio que subiu pelas suas costas acima, uma sensação de desconforto. Voltou a cara para o seu lado esquerdo, para o outro baloiço, mas a sua filha, a sua Ritinha com os seus cabelos ruivos encaracolados não estava mais lá. O baloiço estava parado, apenas ondulando ao sabor da suave brisa.
Maria esticou as suas pernas e parou de repente. A sua filha não havia estado ali consigo. Maria tinha ido sozinha até ao parque, sentara-se no baloiço e começara a baloiçar. Queria voltar a sentir a mesma felicidade que tantas vezes havia sentido ali com a sua filha Rita. Mas a sua felicidade fora abruptamente cortada há três meses atrás quando a sua filha baloiçava ali mesmo e Maria havia voltado as costas para lhe comprar um gelado a um vendedor que por ali passava, e quando se voltou novamente a sua filha havia DESAPARECIDO.
Agora apenas Maria estava ali. Maria e a suave brisa do entardecer.
Será que algum dia Maria iria encontrar novamente a filha? O que lhe teria acontecido? Estaria bem? Estaria com frio? Estaria num baloiço?
Maria sentiu uma lágrima soltar-se, deslizar suavemente pelo seu rosto e secar-se com a suave brisa que soprava no final daquela tarde. A mesma suave brisa que tantas vezes sentira com a sua filha naquele jardim, naqueles baloiços.
Esta é a minha participação na 10ª Edição visual do blog Projecto Créativité.
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Concerto de uma vida!
(Foto retirada da internet)
Esta terça-feira (22/03/11), não importava se era dia de semana.
Não importava se tinha que sair do trabalho directamente para o concerto.
Não importava se tinha que jantar um hamburger no MacDonalds em menos de 5 minutos.
Não importava se ficaria de pé mais do que 2 horas, com as consequentes dores de pernas que daí viriam.
Não importava se teria que me levantar cedo no dia seguinte para ir trabalhar.
Não importava nada disto.
Este era um concerto IMPERDÍVEL!!
(Foto retirada da internet)
Imperdível porque provavelmente não assistiremos a mais nenhum concerto dos Pink Floyd.
Imperdível porque Roger Waters provavelmente não dará concertos durante muito mais tempo.
Imperdível pois não sabemos se Roger Waters voltará a Portugal.
Impordível pois é a reprodução, ainda que em menor escala, do concerto ao vivo dado em Berlim para celebrar a queda do MURO.
Imperdível pois celebra o 30º aniversário de um album ("The Wall") carregado de uma forte mensagem anti-guerra, que continua actual.
(Foto retirada da internet)
A expectativa era elevada mas não ficou defraldada.
O concerto foi absolutamente genial.
A sua mensagem, embora com 30 anos continuava perfeitamente actual.
A performance de Rogers Waters foi fenomenal, transportando-nos no tempo para os momentos em que ouvíamos o "The Wall" em vinil ou em CD.
Os efeitos especiais absolutamente fantásticos, efeitos esses que raramente se vêem nos concertos actuais, esfecialmente os efeitos de luzes e imagens projectadas no MURO construído em cima do palco.
(Foto retirada da internet)
Não tenho qualquer dúvida em dizer que este foi o CONCERTO DA MINHA VIDA!
(Foto retirada da internet)
(Foto retirada da internet)
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quarta-feira, 23 de março de 2011
Descubra as Semelhanças !!!!
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quinta-feira, 17 de março de 2011
Orgulho de ser PORTUGUÊS !!!!
Desde já confesso que sou Sportinguista, e que é com muita pena minha que não vejo a minha equipa nas competições europeias.
Mas são dias como hoje que me deixam verdadeiramente orgulhoso de ser PORTUGUÊS, ao ver que temos TRÊS equipas nos quartos de final da Liga Europa.
Quer-me cá parecer que este ano o CANECO vem para PORTUGAL.
segunda-feira, 14 de março de 2011
PEC IV
Uma das medidas anunciadas pelo Governo para o novo PEC (PEC IV), tem a ver com a actualização das taxas do IVA.
Claro que todos nós pensámos que a alteração iria significar um agravamento, o que até poderá ser verdade.
No entanto, a boa notícia é que a Vaselina vai passar a estar ISENTA de IVA
A Crise e o esbanjamento !
Fez recentemente 10 anos que aconteceu a tragédia da queda da ponte em Entre-os-Rios. Muitos de nós ainda nos lembramos do horror e da angústia que sentimos naqueles dias ao ver os familiares e a população da região desesperados sem saberem dos seus entes, desaparecidos na calada da noite nas águas escuras do rio.
O país sofreu em conjunto, a sociedade uniu-se no apoio às vítimas e logo surgiu um rol de promessas quanto ao apuramento dos factos e das responsabilidades com a queda da ponte e quanto à construção de uma nova ponte que unisse as duas margens do rio.
Todos nós nos lembramos da angústia que foi o processo de buscas nos dias que se seguiram. Mas a verdadeira angústia essa foi a vivida por aqueles que perderam familiares nessa tragédia (pais, mães, filhos e filhas, irmãos e irmãs, ou até a perda de amigos ou conhecidos).
Essa angustia apenas se assemelha aquela vivida por alguém sempre que um barco de pescadores, ou outro qualquer, naufraga na nossa costa, e existem pessoas desaparecidas. Ou quando alguém cai ao mar, ou a um rio, ou mesmo quando acontecem tragédias como as enxurradas na Madeira.
E quando alguma tragédia dessas acontece, o que é que vemos???
Vemos homens e mulheres corajosos que põem a sua vida em perigo, no mais puro dos altruismos, com o objectivo único de salvar uma vida humana, ou no pior dos cenários, resgatar o seu corpo para que as suas famílias possam fazer o seu luto. Homens e mulheres que dão tudo o que têm mas que não dispõem de meios técnicos adequados para o fazer.
Hoje, como há 10 anos atrás, continuamos a ver as operações de busca e salvamento a serem interrompidas sempre que anoitece pois não existem helicópteros que possam efectuar buscas durante a noite, devidamente equipados com fortes holofotes que permitam assim que não se desperdicem horas cruciais nestas operações.
Mas por incrível que pareça, um país que se encontra na crise que todos sabemos, prefere gastar uma enormidade de dinheiro na aquisição de submarinos, blindados que não chegam e até mesmo um TGV, em vez de utilizar essas mesmas verbas a comprar helicópteros que permitam efectuar salvamentos nocturnos, e a equipar melhor os bombeiros e os hospitais e centros de saúde, ou até mesmo a melhorar as condições das nossas escolas.
Mas pelos vistos o que interessa, tal como o ex-embaixador dos EUA em Portugal, que considerava que os portugueses gostavam é de comprar brinquedos caros, que pouco contribuem para a melhoria das condições de vida dos portugueses, e apenas servem para aumentar o ego de alguns.
Quantas mais tragédias teremos ainda que assistir em que as operações de busca e salvamento sejam interrompidas durante a noite por falta de meios técnicos, com elevados prejuízos para a vida humana?
Mesmo estando Portugal a atravessar um crise sem precedentes a vida humana terá sempre algo de valor inultrapassável e que justificaria um reforço no investimento de meios técnicos para que as operações de salvamento pudessem minimizar a angústia e o desgosto que a perda de uma vida representa.
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domingo, 6 de março de 2011
quinta-feira, 3 de março de 2011
O Fim da Inocência
(Foto tirada do Google)

Os ponteiros do relógio rodopiavam no seu movimento contínuo, sem descanso, sem retorno.
O desespero dele aumentava, cada vez que olhava para o relógio redondo, pendurado naquela parede branca, nua, fria, despida de qualquer elemento que tornasse a sala em que se encontrava mais acolhedora.
O relógio marcava 1 hora da manhã. Havia 3 horas que se encontrava naquela sala sombria e rudemente mobilada, onde sobressaíam as cadeiras de aspecto desconfortável . O seu corpo começava a ficar dormente, dorido, anestesiado. À sua esquerda, duas portas brancas, onde sobressaiam três letras vermelhas colocadas no centro de um pequeno rectângulo de vidro: U.C.I (Unidade de Cuidados Intensivos).
Apenas três horas tinham decorrido desde que o seu filho passara por aquelas portas mas parecia que tinha decorrido uma década. Ele não tinha notícias, não sabia como ele estava, ninguém lhe dizia nada. A angústia consumia-lhes as entranhas provocando-lhe naúseas.
Apesar de não ser supersticioso, o seu dia tinha sido azarado. O despertador não tocou à hora prevista. Estava atrasado para ir trabalhar. O esquentador avariou. Apesar de ser Inverno suportou o duche de água gelada e saiu de casa a correr. Chuvia torrencialmente. O trânsito estava caótico. Com a pressa de chegar ao trabalho, passou um sinal vermelho e ..... bateu com o carro. O embate foi grande. Desfez a frente do carro. A tentativa de chegar mais depressa ao trabalho atrasara-o ainda mais. O seu seguro automóvel seria agravado, e teria que pagar o arranjo do seu carro porque o seguro não o cobria. Era culpado. Ia ficar sem carta durante um mês.
Atrasado e sem carro, restava-lhe tentar chegar o mais cedo possível ao emprego. Não tinha chapéu de chuva pelo que chegou ao emprego completamente encharcado. Faltavam 5 minutos para a sua reunião com um dos clientes mais importantes da empresa. A reunião correu mal, não estava concentrado. Perdeu o cliente. À tarde recebeu uma carta do banco a informá-lo que a sua casa ia ser colocada à venda num leilão para pagar as prestações em dívida. Apenas mais uma dívida a somar a tantas outras que se haviam acumulado nos últimos meses: o carro, a escola do filho, o cartão de crédito, a electricidade, e muitas outras.
Ao fim da tarde foi chamado aos Recursos humanos da empresa e informaram-no que fora despedido.
Não podia acreditar que tudo isto lhe estava a acontecer. O mundo desabava. Estava perdido, desorientado, angustiado, ENRAIVECIDO.
Caminhou sozinho para casa, angustiado, ENRAIVECIDO. Não sabia o que fazer. Apetecia-lhe morrer, desaparecer. Mas não podia abandonar a sua família. Caminhou desolado. Não reparava no caminho que seguia. Fazia-o de uma forma automática, inconsciente. Ia desatento, e ia sendo atropelado. Ficou ENRAIVECIDO. ENRAIVECIDO com o condutor que o ia atropelando. ENRAIVECIDO por não ter morrido.
Antes de chegar a casa decidiu parar no café da esquina. Precisava de uma bebida. Precisava de descontrair, de se acalmar, de aclarar as suas ideias. Precisava de pensar no que iria fazer da sua vida. Entrou. Viu um mesa vazia e sentou-se. Fez sinal ao empregado e pediu uma cerveja. Soube-lhe bem. Precisava de mais uma. Precisava de outra...... e outra...... e outra..... e outra..... e outra ........ e mais uma.
Uma hora depois, e 10 cervejas depois, saiu do café e dirigiu-se para casa. Entrou, posou a carteira, as chaves e o telemóvel em cima da mesa da cozinha. Sentiu o seu filho correr para ele. Ele vinha contente e a rir-se, deu-lhe o beijo na cara e disse-lhe: "Pai vi uns ténis muito giros, por favor compra-me os ténis.".
De repente sentiu-se novamente ENRAIVECIDO e desatou a bater no filho. Bateu, bateu sem parar, quando de repente o viu caido no chão inanimado. Tinha batido com a cabeça na parede e sangrava copiosamente. Agarrou no seu telemóvel e chamou uma ambulância: "Por favor Salvem o meu FILHO".
Agora alí estava ele na sala de espera da UCI, completamente desesperado. Era o responsável pelo fim da inocência do seu filho. Mas mais do que isso, tinha sido capaz do acto mais ignóbil, mais repudioso, repugnante, vergunhoso e odioso: Tinha batido numa criança, o seu filho.... o seu filho.
Não conseguia compreender como tinha sido capaz de cometer um acto tão hediondo, como podera bater daquela maneira em alguém tão inocente como o seu filho. O stress, os azares que estava a atravessar, não poderiam servir de desculpa para acto tão hediondo.
Ainda que um dia o seu filho o viesse a perdoar, ele nunca se perdoaria a ele próprio. Naquele dia tinha ultrapassado todos os limites.
Texto para o tema de Março/2011 ("Violência") da Fábrica de Letras.

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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Jesus Te Abençoe (2)
Nestes tempos de crise e de preocupação, eis que Jesus distribui amor e carinho ao próximo, no mais puro sentimento altruísta.
Depois do Nacional, vem o Marítimo e a cena repetiu-se. Será que tem alguma azia com os madeirenses?
Pelos vistos, esta época castigos sumaríssimos, nem vê-los. Deve ser do nevoeiro. Parece que afinal não se passou nada. Nunca se passa nada naquele estádio.
Será que ainda vamos ver Jesus a ser castigado quando o SLB já não tiver hipótese de ser Campeão??
sábado, 26 de fevereiro de 2011
O Futebol e a Crise
Muitas são as criticas às ligações existentes entre a política e o futebol, considerando-as por vezes obscuras.
No entanto deveriamos olhar com mais atenção para o futebol, pois poderíamos tirar umas lições interessantes para combatermos a crise e controlar o défice nacional.
Parece-me que não acreditam naquilo que estou a dizer, mas observem bem o Sporting e vejam lá se para um clube com falta de dinheiro não arranjaram uma solução criativa, que com um pouco de jeitinho podia ser adoptada a nível nacional com vista à redução da despesa pública.
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Política aos SS's !!!
Se me pedissem para descrever a Política do PSD, apenas poderia ser esta:
Política aos SS's !!!
Tenho que confessar que há coisas que não compreendo, coisas que me transcendem. A semana passada o actual líder do PSD (Pedro Passos Coelho), no programa Grande Entrevista da RTP, criticou os elevados custos com pessoal que o Estado tem que assumir com as administrações das empresas onde o Estado tem uma participação, isto é, no Sector Empresarial do Estado (SEE). O líder do PSD criticava assim a divisão das áreas de negócios das empresas em Holdings e sub-holdings, ou outras empresas, o que aumentaria os cargos relacionados com administrações e órgãos de gestão e, consequentemente, os custos com pessoal suportados pelo Estado.
Eis que ainda não havia decorrido um semana e já o PSD chumbava na Assembleia da República uma lei que visava limitar o vencimento dos salários dos gestores públicos. Será que a limitação dos salários dos gestores públicos não diminui a despesa do Estado em custos com pessoal?? Confesso que não compreendo.
Por um lado o Estado gasta muito em remunerações e deveria diminuir o número de administrações e de gestores. Por outro vota-se contra a limitação do vencimento dos gestores públicos.
Será que alguém me pode explicar de que forma estas duas medidas são contraditórias, de que forma uma reduz a despesa e a outra nem por isso.
Só posso assim concluir que a Política do PSD é feita aos SS's, e que como não está no Governo, mandar bitaites é coisa que não custa.
Por outro lado, só posso concluir que a política é em si mesma um TACHO, que tem que ser rodado de vagarinho para que possa ir havendo lugar para todos.
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